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Taiti Como Cenário - O Grande Montim


Taiti é um país muito utilizado no cinema como cenário, especialmente quando desejam mostrar praias paradisíacas. A história de O Grande Montim (Mutiny On The Bounty), por exemplo, foi filmada três vezes - 1935, 1962 e 1983 - no país. 

Os filmes relatam, a história verídica, ocorrida em 1789, de Fletcher Christian, que comandou um motim no navio inglês Bounty em direção ao Taiti, por não concordar com a forma severa com que seu capitão, William Blight, os comandava.

Este acontecimento provocou uma reformulação na forma como os capitães da marinha britânica passaram a comandar seus navios.

- A versão de 1935 foi feita Franck Loyd e tornou-se um clássico do cinema americano. 

-  A versão de 1962 foi feita por Lewis Milestone e parcialmente filmada em Moorea (uma das ilhas do Taiti). Depois da filmagem, Marlon Brando (ator que do longa) decidiu alugar o atol de Tetiaroa. Até hoje, o ator é o proprietário do local. 

- A versão de 1983 foi feita por Roger Donaldson. O enredo desde filme é diferente do das versões anteriores, mas sua filmagem também ocorreu em parte na Moorea.

Was I to have made this far journey, only to find the very thing which I had fled ? The dream which had brought me to Tahiti was brutally disappointed by the actuality. It was the Tahiti of former times which I loved. In view of the persistent physical beauty of the race, it seemed unbelievable that all its ancient grandeur, its personal and natural customs, its beliefs, and its legends had disappeared. But how was I, all by myself, to find the traces of this past if any such traces remained ? How was I to recognize them without any guidance? How to relight the fire the very ashes of which are scattered?

Paul Gauguin sobre o Taiti

"Habemus Papam” (Nanni Moretti, 2011)

Moretti retrata em a crise existencial de um papa recém-eleito, através de uma comédia inteligênte onde religião e psicanálise interagem de forma cômica e inesperada.

Após a morte do Papa, o Cardeal Melville (Michel Piccoli), cuja presença durante o conclave mal era percebida foi eleito Papa. O problema é que Melville não está preparado para ser o novo papa e sofre um ataque de pânico no momento em que deveria aparecer na varanda da Praça de São Pedro para saudar os fiéis, criando uma inusitada situação onde o mundo sabe que há um papa eleito, mas não seu nome.

O Vaticano então chama um aclamado psicanalista (Nanni Moretti), o que gera situações cômicas durante o filme já que ele é declaradamente um ateu no meio de um imenso grupo de cardeais. O filme explora o lado humano dos cardeais e do novo Papa, expondo com sutileza características humanas de forma a colocá-las em conflito com supostas obrigações divinas.

O filme concorreu no Festival de Cannes em 2011 e ganhou o público francês.

Gomorra (Matteo Garrone, 2008)

O filme retrata várias histórias paralelas. Toto (Salvatore Abruzzese) tem 13 anos e trabalha como mensageiro de um grupo de traficantes de drogas e armas. Pasquale (Salvatore Cantalupo), alfaiate contratado secretamente por chineses para formar operários, descobre subitamente que sua vida corre perigo. Don Ciro (Gianfelice Imparato) é responsável por levar dinheiro a famílias cujos membros estão presos ou mortos. Como eles, outros tantos habitantes de Nápoles e da região da Campanha têm suas vidas regidas pela Camorra, a tradicional máfia local que alimenta uma espiral de violência sem fim.

É um filme aclamado. Recebeu o prêmio de melhor filme pelo David di Donatello e os Satellite Awards.

Corpo Celeste (Alice Rohrwacher, 2011) 

Marta tem treze anos e, após viver com sua familia 10 anos na Suíça, voltou a viver no extermo sul da Italiano, na Calabria, região onde nasceu.

Marta esta sempre alerta e inquieta como um espírito selvagem mas é dona de uma graça especial ao sentir tudo ao seu redor. Semte principalmente a cidade onde nasceu mas que não tem nenhuma lembrança é apenas uma cidade desordenada com mistura de edificações novas e antigas, muito vento e o mar sempre visto de longe.

Marta começou imediatamente a fazer o curso de catecismo, uma boa maneira de conhecer novos amigos e acaba conhecendo Don Mario, padre que administrava com braço forte a igreja da cidade e sua catequista, uma senhora engraçada.

A paróquia esta preparando uma festa para chegada de um novo crucifixo que irá substituir o antigo e Marta participa das atividades da festa mas logo percebe que aquela não é sua vida e deve tomar o seu rumo. Não se imagina presa a aquela cidade mas sim uma cidadã do mundo.

É uma cidade igual a um sonho: tudo o que pode ser imaginado por ser sonhado, mas mesmo o mais inesperado dos sonhos é um quebra-cabeça que esconde um desejo, ou então o seu oposto, um medo. As cidades, como os sonhos, são construídas por desejos e medos, ainda que o fio condutor de seu discurso seja secreto, que as suas regras sejam absurdas, as suas perspectivas enganosas, e que todas as coisas escondam um outra coisa.

As Cidades Invisíveis, Ítalo Calvino

Esta história que comecei a escrever é ainda mais difícil do que havia pensado. Acontece que me cabe representar a maior loucura dos mortais, a paixão amorosa, da qual o voto, o claustro e o pudor natural até aqui me protegeram. Não digo que não tenha ouvido falar disso: pelo contrário, no mosteiro, para manter-nos afastadas das tentações, às vezes se discute a questão, da maneira que podemos fazê-lo com a vaga ideia que temos sobre ela, e isso ocorre, sobretudo, cada vez que uma de nós, coitadinha, por inexperiência, fica grávida ou então, raptada por algum poderoso não temente a Deus, volta e nos conta tudo o que lhe fizeram. Assim, tanto sobre o amor como sobre a guerra, direi de boa vontade aquilo que consigo imaginar: a arte de escrever histórias consiste em saber extrair daquele nada que se entendeu da vida todo o resto; mas, concluída a página, retoma-se a vida, e nos damos conta de que aquilo que sabíamos é realmente nada.

O Cavaleio Inexistente, Italo Calvino